o novo estadão e o twitter (ou um post que mudou no meio)

14/03/2010

nada como uma novidade (mesmo das que apresentam pouca inovação) para fazer as coisas se agitarem um pouco. o Estadão lançou oficialmente suas novas versões para o jornal impresso e novo layout do portal. e isso basta pra que a gente veja algumas mudanças de atitude do jornal quanto à relação com os leitores.

o que me faz ver isso é um post no blog do pedro dória respondendo às três principais dúvidas, no twitter, sobre o novo estadao.com.br. a primeira coisa que penso é. thumbs up. olhas de vez em quando, nem que seja de vez em quando, os seus replies no twitter ou mesmo fazer uma pesquisa de hashtag ou termo no micro blog podem render bons frutos. não sei se só eu penso assim, mas o twitter não é (apesar de ser utilizado assim) um cuspidor de links. tem uma lógica de funcionamento (como toda rede social) que vai além de uma estratégia para atingir seguidores/leitores. e conversar também faz parte dessa lógica. e tentando é impressionante ver o quanto as pessoas estão dispostas a conversar.

vamos enfim ao caso. uma das ‘ações de promoção’ da nova cara do estadão foi o anúncio no twitter (faltam X dias para o novo @estadao). daí em diante @estadao começa a falar: agradece indicações no #FF (follow friday); pergunta o que seus seguidores acharam da reformulação e tira dúvidas, responde e agradece os comentários. enfim, conversa.

até que, num momento, decide responder a todos de uma vez através do post já comentado do pedro dória e que incentivou a existência desse post. mas é aqui que esse post muda no meio.

a idéia inical era, além de parabenizar a iniciativa de falar com os leitores sobre sua reformulação criticar o fato de que isso foi feito apenas nesse momento. que a inserção essa conversação cria uma falsa imagem do perfil do jornal que, majoritariamente, utiliza o twitter para enviar links de suas matérias, citando e dando RT em tweets de subseções do jornal e funcionários ou colaboradores.

de fato esse é o cenário geral e que poderia facilmente ser comprovado pela observação das postagens realizadas no mês de março. o fato é que, ao ampliar essa observação para um período de 30 dias (no caso, desde 14.02), vi que não é possível sustentar esse comentário em gênero, número e grau. isso porque, memso não sendo na regra, há algumas exceções que servem bem para me contra-argumentar. então faço o mea culpa.

além da ocasional pergunta em carta aberta (realizada quando do terremoto no chile) e que se justifica mais pela dificuldade em se encontrar outras fontes que não os relatos e relatórios oficiais que pela tentativa de dialogar com o público – como já comentado aqui antes -; há um momento interessante a se apresentar: a matéria que vocês nos ajudaram a fazer.

a apuração nessa matéria começa com uma pergunta ‘quem está tendo problemas para acessar a internet?’ e se segue com uma conversação entre o jornal e alguns seguidores que atenderam ao pedido. o que resulta é uma produção praticamente colaborativa.

cabe ainda o questionamento quanto à não regularidade desse diálogo (buscado apenas quando útil), mas fica mais um sabor de erro ao tentar criticar algo com argumentos não tão bem embasados quanto deveriam.

hoje então o post é comentário e reflexão. e já que estamos bagunçando tudo. aviso que nessa semana começo (ou pretendo começar) a catalogação dos projetos de colaboração em jornais do nordeste – que pretendo como primeira fase do projeto de pesquisa no mestrado – e que vão aparecer por aqui em análises de cinco minutos.


de férias?

10/03/2010

esse período de ausência nem é justificável, então nem vou tentar fazer isso. hoje, como retorno tiro da gaveta um post que deveria ter sido colocado aqui há tempos (e que de certa forma se aproxima de ser a justificativa que não quero tentar dar).

enquanto estava ‘de férias’ me deparei com as férias de outros jornalistas na rede.  o pessoal da trip, que há algum tempo eu acompanho pelo site e pelo twitter, mostrou mais um pouco a sua cara (literalmente), dividindo parte das suas fotografias de viagens durante as férias com os colegas e os leitores da revista através do blog da redação.

fui, a partir daí fuçando mais e mais desse blog e vendo que ele não é só um lugar a mais para divulgar os produtos da editora, mas de fato um canal onde a redação está (em parte) aberta à seus leitores. vamos destacar aqui duas categorias em que melhor se pode compreender de que forma essa ’abertura’ se dá.

o primeiro é a sessão ‘é nóis’ em que os integrantes da revista entrevistam uns aos outros. já no ‘momento post-it’ são divididos com os leitores pequenos trechos de conversas e piadas que circulam nas reuniões e mesas da redação.  além do ‘bizarro’ onde cenas, vídeos e outras coisas que a equipe acha interessante são divididos com os leitores do blog.

é interessante perceber como é possível desvelar a redação para os leitores, criar uma aproximação entre os espaços de produção e consumo do jornalismo. são coisas assim que me fazem pensar em como essa aproximação leitor-jornalista modifica (ou não) o jeito de se ler/entender as notícias. e ainda que se pense que a trip não é (ou faça parte do grupo de) um jornalão com pretensões de verdade, basta olhar para os tweets do @realwbonner para ver que mesmo no jornalismo “mais sério” essa aproximação jornalista-público tem dado as caras.


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