o jeito web do jornalismo

07/01/2011

um pouco mesmo sem querer, seguindo o link de um tweet (nem lembro mais de quem) me deparei numa pequena coisa bastante surpreendente. o clique abriu essa matéria do jornal a tarde (uma entrevista, na verdade) em que o editor da rolling stones brasil, pablo myiyazawa, conversa com lucas cunha (@_lcunha) sobre os destaques da música pop em 2010. não, não foram – necessariamente – os destaques que me chamaram a atenção, mas o fato de todo o texto estar repleto de links de referência.

pelo que já conhecia do a tarde e da maior parte dos sites de jornalismo brasileiros, pode-se dizer que o fato é, no mínimo inusitado. e ainda que uma rápida olhada nos arquivos do 2+ (até setembro de 2010) tenham me apresentado a mais três matéria com links externos – das quais destaco essaqui, também do lucas cunha, sobre o livro ‘bilionários por acaso’ – posso dizer que a prática não é corriqueira.

a questão da linkagem externa gerou, inclusive, bastante confusão – como já comentei aqui – quando a bbc publicou que iria incentivar os links externos em suas matérias. no entanto, há uma diferença o bbcway e os links da matéria que me surpreendeu. muito mais ao estilo dos blogs (e do resto da internet) cunha borrifou os links no decorrer do texto, e não ao final, para perfis de twitter e sites, como o blog move that jukebox. é uma aproximação com uma lógica muito mais usual da rede que o comum da tribo jornalísitca: que primeiro diz o que quer dizer para ao final, se for o caso, indicar algum complemento – e que normalmente está noutra página do próprio site.

há pouco discutíamos na disciplina de raquel oliveira (@comuniquel), no póscom, sobre o quanto a transparência têm se tornado ponto relevante para a credibilidade e objetividade de sites de notícia abertos, como é o caso do wikinews. quem sabe essa é a forma de o jornalismo me mostrar que está aprendendo. quem sabe é só uma boa quantidade de moral que lucas dispõe perante seus editores que o permita escrever assim. eu (preferindo que seja a primeira opção a verdadeira) queria só pontuar isso aqui no blog, como incentivo a continuar escrevendo sobre isso.


apresentando: Locast

03/01/2011

pra começar bem o ano, indico uma leitura que estou ávido pra começar. o livro recém lançado “locast civic media: internet móvel, cidadania e informação hiperlocal”. organizado pelo professor eduardo campos pellanda, e composto por textos de integrantes do projeto da (pesquisadores e estudantes do ppgcom e da famecos), o livro é um relato do projeto desenvolvido pela universidade em parceria com o mit mobile experience lab.

 

o projeto locast desenvolve e disponibiliza uma plataforma web e móvel para a participação cidadão na cobertura e disseminação de informações hiperlocais. e como o próprio nome dado ao livro indica, o projeto se volta para questões como a participação, o hiperlocal, a comunicação e conexão ubíquas e uma nova concepção da cidade, composta por diversas camadas de informação.

 

não custa ressaltar que acho bastante válida a leitura. é possível baixar o livro aqui.


boa semana

13/10/2010

além de tudo na vida, há sempre alguma coisa que vale a pena. e essa semana me aparecem logo duas.

hoje, daqui a pouco, gumersindo lafuente, diretor do elpais.com, fala no instituto cervantes sobre as oportunidades que a internet e as “novas tecnologias” trazem para o jornalismo. a paletsra vai ser mediada por graciela nathanson, professora do póscom e pesuqisadora do gjol. às 19h, no instituto cervantes.

começando hoje, também, mas continuando até sexta o seminário “Lugares da Sociabilidade” traz a apresentação de trabalhos dos pesquisadores dos grupos de pesquisa em cibercidades e interação, tecnologias digitais e sociedade, também do póscom. hoje na abertura há a confererência de vinícius neto, da uff, “Prática, Comunicação e Espaço: Uma reflexão sobre a materialidade das estruturas sociais”. o seminário acontece a partir das 18h na facom.


colaborativo, participativo, open-source, cidadão…

06/10/2010

esse posta provavelmente não vai trazer nada de novo, mas vai ser longo. vou encher ele de coisas que talvez não façam sentido juntas mas que estão bombardeando minha cabeça (principalmente depois da conversa de hoje com paulo victor, rodrigo carreiro, rafael sampaio e sivaldo pereira, durante a aula do póscom).

se eu já me inquietava com o samba-de-crioulo-doido que é a falta de distinção e definição conceitual sobre o jornalismo participativo – que também pode ser chamado de colaborativo, open-source, grassroots, cidadão (e, aparentemente, o que mais você escolher) – a discussão acabou me deixando mais intranquilo quando vejo que sai da discussão sobre o jornalismo ser colaborativo ou participativo e pode se ampliar a conceitos de participação e colaboração mais gerais; uns com base na teoria democrática, outros na cibercultura, ao fim, definir isso é difícil.

masenfim. voltando ao jornalismo, vejo que essa indefinição ou indistinção conceitual mais clara simplesmente persiste, sem que se identifique (ou sem que ao menos eu identifique) um esforço prático e teórico para que seja solucionado (com a exceção talvez da proposta do Alec Duarte, cuja transformação em artigo eu ainda aguardo).

sem querer repetir o post do Webmanário, e nem mesmo propor uma diferenciação minha (até porque a mesma não existe) eu finalizo com um exemplo de como a utilização desses conceitos pode se apresentar de forma confusa.

Brambilla (2005), ao conceituar, o jornalismo open-source – e dando como exemplos do mesmo o OhMyNews e o SlashDot – o apresenta da seguinte forma “o jornalismo open source possibilita que a comunidade, além de apontar uma falsa informação, torne essa observação pública, corrigindo-a ou tão-somente alertando futuros leitores àquela incorreção(2005, p. 4)

Träsel e Primo (2006), não só apresentam os mesmos dois sites como modelos de webjornalismo participativo, como utilizam a seguinte definição para enquadrar o WikiNews sob essa nomenclatura: “Ou seja, no Wikinews qualquer pessoa pode publicar notícias e editar aquelas publicadas por outros colaboradores. O internauta que identifica um erro ou acredita ter alguma informação a mais pode modificar o texto original da notícia, fazendo correções ou acréscimos(2006, p. 12)

a não ser que em algum momento de lá para cá já tenham sido feitas considerações sobre isso, acho confuso que se nomeie ou enquadre os mesmos veículos sob nomenclaturas diferentes, utilizando, no entanto, os mesmos argumentos. a não ser que se considere a todos eles sinônimos: o que não creio ser o caso.

deixando claro que esse comentário não é de forma algum desmerecimento ou crítica aos autores citados – cujo trabalho admiro e tento acompanhar -, explico que a intenção final é de (me) alertar para a necessidade de trabalhar e problematizar esses conceitos, e buscar saídas possíveis para essa indefinição. quem sabe um dia..


ensinos de jornalismo

08/04/2010

essa semana está sendo bem movimentada. sexta nem chegou e duas coisas movimentaram minha cabeça por caminhos diferentes sobre como pensar o jornalismo.

a primeira notícia foi a pós-graduação profissional proposta pela ufes. com dois anos de duração, e voltada para profissionais de qualquer área, o curso causou alguma polêmica, inclusive uma promessa de mobilização por parte do ca da própria universidade contra sua implantação. chamado de supletivo em forma de pós-graduação, o curso deu a alguns a impressão de apoiar que todos podos podem ser jornalistas, basta apenas aprender a formatar um texto ao formato estabelecido pelo canone jornalístico. enfim, não é que seja a melhor solução, mas acho válida. é, até onde sei, a primeir proposta que se apresenta pós-queda-do-diploma. e se não for esse o caminho a seguir (dar algum tipo de formação complementar àqueles que querem atuar em meios de comunicação mas não têm/querem fazer uma graduação em jornalismo) ao menos algum surgiu. como esper que tantos outros apareçam. mudar os perfis e formas de ensinar jornalismo no braisl é algo que já se está devendo, desde antes da decisão do STJ.

uma outra nova proposta, essa sim me chamando bem mais atenção (o suficiente para querer mudar de país e me matricular) foi a da Columbia University, que pretende iniciar ainda esse ano uma turma de mestrado duplo em jornalismoe  ciência da computação. o curso de dois anos e meio prentende abordar não apenas a utilização de programas e aplicativos na comunicaçaõ, mas permitir que os jornalistas os realizem. se como Joel Kaplan disse em artigo ao Nieman Report, quem mudou a cara do jornalismo foram os engenheiros, é hora de os jornalistas entrarem no barco. e quem sabe até assumir o leme. essa é a aposta do mestrado, que segundo artigo da wired, propõe a formação de ninjas transdisciplinares. é tempo de se pensar um jornalismo integrado às ações do meio digital. não apenas de propor utilizações para o que já existe, mas meios próprios de utilização da tecnologia.

aqui no brasil, no recife mais específicamente (só pra ser bairrista no exemplo), já se vê iniciativas assim, como a parceria entre yvana fechine (ppgcom/ufpe) e professores do centro de informática também da ufpe para a discussão de conteúdos e formatos para tv digital, que hoje realizou mais um encontro.

masenfim. o que fica de propostas para dar um arcabouço mínimo – teórico ou técnico – a não-jornalistas(-de-formação) ou de se misturar jornlaismo à discussão de concepções de novos meios digitais de circulação/origanização/produção de notícias é mesmo a necessidade de se mudar o que está parado. pensar e ensinar jornalismo não pode ser feito da mesma maneira. acompanhemos.


mapeando: a tarde, salvador

28/03/2010

hoje, depois de muita demora e muito atraso eu começo a andar com a idéia. mapear catalogar ou simplesmente contabilizar e localizar projetos de colaboração de jornais brasileiros. pra começar bem, já que estou na cidade, o cidadão repórter do jornal a tarde, aqui de salvador.

o blog começou a integrar o quadro do jornal em março do ano passado, com uma proposta de “ouvir sugestões, denúncias e críticas do nosso público, checar informações e acompanhar todo o fluxo de produção do material jornalístico que possa ser pautado ou elaborado pela nossa audiência.” (trechinho queu peguei emprestado do herdeiro do caos, já que no a tarde não encontrei grandes explicações do projeto).

a impressão que se tem ao passear pelas postagens é de que de fato o ciberespaço é uma fonte para os jornalistas, como disse elias machado. o que marca o blog, e que intitula a seção que tem maior participação – comente – é de que os jornalistas querem ouvir o que o leitor tem a dizer sobre alguns assuntos. já que a maior parte dos posts são formados de uma descrição curta de um tema seguida de uma pergunta como “o que você acha disso?” e um pedido para enviar foto, vídeo ou informações para a redação.

é fato que utilizar a rede para encontrar novas fontes é interessante, mas no entanto, vê-se que parte das postagens no blog dão espaço para comentários que não criam diálogo ou discussão. comentários pontuais, sobre as chances de o bahia ser campeão, ou sobre a chegada da primavera. essas ainda que possam auxiliar para criar uma relação do leitor com o blog, por ver sua foto ou comentário publicados, não pode deveria se destacar entre as utilizações do mesmo.

outros usos do blog, bem próximos desses, no entanto, mostram o quanto a pesquisa jornalísitca para a produção de matérias pode ser auxiliada por essa interaçaõ com seus leitores, seja para obter rapidamente um termometro da reação da população sobre temas  polêmicos ou de interesse público; ou mesmo na construção de pautas elaboradas, como é o caso recente do cinquentenário do título nacional do bahia. para isso o blog solicitou aos leitores que têm fotos ou registros ou conhecem histórias sobre o campeonato para ajudar na pesquisa, o que pode ajudar a descobrir novas informações e reconstituir esse momento. (o caderno deve sair amanhã, e devo comprar para conferir se alguma contribuição pôde ser utilizada).

é necessário realizar ainda um destaque: a seção especial de dúvidas sobre o imposto de renda, no qual o jornal recebeu perguntas dos leitores e as respondeu tanto no jornal quanto no blog.

no entanto, senti falta também de maior interação. ainda que haja uma quantidade razoável de comentários em muitas postagens, há pouco diálogo, tanto entre os comentaristas, quanto destes com jornalistas do projeto. o blog é uma ferramenta para escrita coletiva, mas há muitas vozes, basicamente falando sem ouvir. assim como um melhor uso do twitter, que como reclamo sempre, não é só um vomitador de links.

bem. bateu cinco minutos e acabou essa parte. aos poucos vou andando, tateando e mapeando. e espero dar conta. ainda essa semana quero voltar.


entendendo o leitor-participante

15/03/2010

ainda nem li mas já apresento aqui (e se tudo der certo depois da leitura comento) o Pew Research Center’s Project for Excellence in Journlalismo (ou PEJ) soltou no site um estud0 – understanding the participatory news consumer -  que busca compreender como  o uso de mídias locativas e jornalismo participativo estão transformando o jornalismo em uma esperiência social. o texto todo está disponível em pdf aqui.

na mosca! eu não proporia um estudo melhor. quer dizer, já fiz isso mais ou menos, e hoje saiu recebi o email informando que saiu a bolsa do cnpq pro meu trabalhpo de mestrado, sobre a aproximação do leitor com as notícias e o jornalismo através de espaços e ferramentas de participação.


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