o novo jc online

05/04/2011

alguns dias depois de anunciar a substituição do seu já consagrado e queridíssimo jconline, pelo novo portal NE10, o jornal do commercio de recife lançou ontem uma nova versão impressa e online do seu jornal diário. o estranhamento pela primeira mudança começa a fazer algum sentido quando se percebe que o jconline é agora, não mais um portal de notícias, mas o endereço do jc na rede, reposicionando o jornal, que ficava um tanto ofuscado pelo portal, e agora se distingue mais facilmente do outro produto ao qual está vinculado. [comentários sobre meu descontentamento com a página e a logo do NE10 foram suprimidos]

falando agora específicamente do novo jconline, queria destacar um ponto que inclusive está em bastante destaque nas campanhas e divulgação da reformulação do jornal: a participação do leitor na produção do jornal.

como é possível ver na matéria e na entrevista acima, o novo site se diz e se propõe mais interativo e mais aberto, com a criação do espaço de participação chamado ‘a voz do leitor‘. além de poder comentar, e enviar material para o site, o jornal promete incluir essa participação na edição impressa, com espaço cativo e de destaque, inclusive na primeira página. poisbem, uma promessa a se comemorar, mas até agora uma promessa. vamos acompanhar de perto esse movimento.

outro destaque dado é à atuação dos jornalistas, em especial dos colunistas, no site de maneira contínua. poisbem. a esse espaço administrado pelos jornalistas é o nosso bom e velho blog, com textos apresentados do mais recente para o mais antigo, com espaço para comentários e navegação por categorias, tags e um histórico na barra lateral, como dá pra ver pelo exemplo da follow, de mona lisa dourado – que inclusive é chamado de blog na url. acho no mínimo estranha a opção por utilizar o termo coluna em lugar de blog. será que fica mais jornalístico com esse nome?

enfim. antes de terminar não poderia deixar de comentar uma das estratégias do sjcc no lançamento tanto no NE10 quanto no novo jconline: nosso querido jogo da velha do twitter, as hashtags. no NE10 foi o segredo e a expectativa que impulsionaram a pergunta #oqueseráisso? que preparava o público para a novidade [eu pessoalmente diria qué um novo protetor solar, masenfim]. já com o jc, a campanha veio junto com as cmapanahs em vídeo e o lançamento do novo conceito do jornal: “se é relevante pra você, de interesse da sociedade, da sua cidade, pode ter certeza, #vaiprojc” (pode ver os vídeos aqui)

agora é acompanhar o novo jc, e ver como ele segue. espero que seja para melhor.

ps: esse post é uma colagem de vários tweets da noite de ontem junto com umas ideias novas.


existe participação no jornalismo sergipano?

20/03/2011


finalmente começo a dar continuidade ao meu projeto de mapeamento de espaços de participação do leitor no jornalismo braisleiro. e na etapa de hoje uma surpresa enorme, que gerou a pergunta-título desse post: existe participação no jornalismo sergipano?

ao acessar as páginas dos três jornais do estado listados na página da anj – cinform, jornal da cidade e jornal do dia – a decepção foi crescente, clique após clique.

começando pelo começo. ao acessar a página principal do cinform a felicidade parecia garantida. na barra lateral bons indicativos: lista das matérias mais acessadas, chamadas para blogs da produção, os últimos comentários no site,uma enquete e por fim, uma listagem atualizada automáticamente com os últimos tweets citando o perfil do jornal no microblog (@cinform). pra fechar com chave de ouro – pensei eu – uma seção você repórter no menu principal. mas parou por aí. esse clique foi minha primeira tristeza. na página apenas um formulário eletrõnico para que você preencha nome e e-mail e envie uma mensagem e um arquivo em jpg ou zip. em cima disso tudo a seguinte frase: “Aconteceu algo muito importante e você viu ? Registrou aquele flagrante ? Envie para o Cinform.”

poisbem. ou ninguém nunca quis contribuir com o cinform, ou todo o material já enviado ficou na triagem da equipe do jornal, ou então não há uma organização do material rcebido numa seção separada da restante. infelizmente não tive fôlego para procurar se havia nas notícias publicadas algum indicativo de material enviado pelo público.

então tá. depois disso, fui lá no jornal da cidade. na primeira página mais ou menos a mesma coisa. matérias mais lidas, mais comentadas, navegação por tags, uma enquete, blogs. tá. até aí tudo normal. também no menu principal eu encontro: você no jc. o clique mais esperançoso do dia resulta numa decepção maior. em lugar do esperado espaço de participação há galerias de fotos de shows e eventos da cidade, sem indicação de autoria das imagens. uma coluna social de todo mundo, que ganha ainda o selo da prefeitura de aracaju. aparentemente, você no jc, quer dizer literalmente que você pode estar no jornal da cidade, não que vai contribuir de alguma forma para a cobertura jornalística do veículo.

enfim, já sem nem ânimo eu cheguei no jornal do dia. nele a coisa é bem mais direta. não dá pra comentar nas matérias e o máximo de interaçãoq ue você vai ter e responder a enquete: “o que você achou do site”. pronto acabou.

aí acabou esse post também. e quem sabe semana que vem eu num consigo encontrar alguma coisa que sirva nessa vida.

finalmente começo a dar continuidade ao meu projeto de mapeamento de espaços de participação do leitor no jornalismo braisleiro. e na etapa de hoje uma surpresa enorme, que gerou a pergunta-título desse post: existe participação no jornalismo sergipano?ao acessar as páginas dos três jornais do estado listados na página da anj – cinform, jornal da cidade e jornal do dia – a decepção foi crescente, clique após clique. 

começando pelo começo. ao acessar a página principal do cinform a felicidade parecia garantida. na barra lateral bons indicativos: lista das matérias mais acessadas, chamadas para blogs da produção, os últimos comentários no site,uma enquete e por fim, uma listagem atualizada automáticamente com os últimos tweets citando o perfil do jornal no microblog. pra fechar com chave de ouro – pensei eu – uma seção você repórter no menu principal. mas parou por aí. esse clique foi minha primeira tristeza. na página apenas um formulário eletrõnico para que você preencha nome e e-mail e envie uma mensagem e um arquivo em jpg ou zip. em cima disso tudo a seguinte frase: “Aconteceu algo muito importante e você viu ? Registrou aquele flagrante ? Envie para o Cinform.”

poisbem. ou ninguém nunca quis contribuir com o cinform, ou todo o material já enviado ficou na triagem da equipe do jornal, ou então não há uma organização do material rcebido numa seção separada da restante. infelizmente não tive fôlego para procurar se havia nas notícias publicadas algum indicativo de material enviado pelo público.

então tá. depois disso, fui lá no jornal da cidade. na primeira página mais ou menos a mesma coisa. matérias mais lidas, mais comentadas, navegação por tags, uma enquete, blogs. tá. até aí tudo normal. também no menu principal eu encontro: você no jc. o clique mais esperançoso do dia resulta numa decepção maior. em lugar do esperado espaço de participação há galerias de fotos de shows e eventos da cidade, sem indicação de autoria das imagens. uma coluna social de todo mundo, que ganha ainda o selo da prefeitura de aracaju. aparentemente, você no jc, quer dizer literalmente que você pode estar no jornal da cidade, não que vai contribuir de alguma forma para a cobertura jornalística do veículo.

enfim, já sem nem ânimo eu cheguei no jornal do dia. nele a coisa é bem mais direta. não dá pra comentar nas matérias e o máximo de interaçãoq ue você vai ter e responder a enquete: “o que você achou do site”. pronto acabou.

aí acabou esse post também. e quem sabe semana que vem eu num consigo encontrar alguma coisa que sirva nessa vida.


memoryshare: memória coletiva na bbc

17/03/2011

o ano novo só começa depois do carnaval. é fato. mas como os efeitos da folia ainda ficam por um bom tempo, vou aos poucos retomando as atividades com algumas coisas velhas. a primeira é o memoryshare da bbc.

criado em 2007 (segundo a wikipédia), o projeto é bem simples: oferecer uma plataforma online onde as pessoas possam escrever, registrar e compartilhar memórias. qualquer coisa vale, desde uma mulher contando quando conheceu seu marido ao um relato sobre a queda do muro de berlim. a partir disso, o sistema monta uma linha do tempo em espiral que conecta datas relacionadas e permite a livre navegação nessa memória coletiva.

essa iniciativa agrega um caráter mais amplo à característica já tradicional do jornalismo de ser um registro histórico, um espaço de resgate da memória e do passado públicos. aceita-se que não apenas dos fatos registrados se compõe a nossa história, mas dos pequenos relatos e lembranças do cotidiano de cada indivíduo.

mas antes de pensar que a bbc é bondosa e acredita na construção coletiva do passado, é preciso pensar nas possibilidades de retorno que a empresa tem com a iniciativa. o especial sobre a segunda guerra mundial (ww2 – people’s war) que reúne relatos de usuários é um bom exemplo de como esse grande arquivo pode acrescentar ao jornalismo. ainda que o ww2 tenha sido lançado um ano antes do memoryshare, este já se mostra como um espaço aberto para facilitar novas empreitadas de busca extensiva por relatos históricos e fontes.

a página é portanto mais que uma ótima iniciativa de memória coletiva e aberta. é uma boa resposta do jornalismo às necessidades de ampliar suas formas de coleta de informações, de agregar as vozes cada vez maiores e mais fortes de pessoas comuns, e fazer um bom uso da tecnologia para chegar a novos e interessantes processos e produtos  jornalísticos.


apresentando: Locast

03/01/2011

pra começar bem o ano, indico uma leitura que estou ávido pra começar. o livro recém lançado “locast civic media: internet móvel, cidadania e informação hiperlocal”. organizado pelo professor eduardo campos pellanda, e composto por textos de integrantes do projeto da (pesquisadores e estudantes do ppgcom e da famecos), o livro é um relato do projeto desenvolvido pela universidade em parceria com o mit mobile experience lab.

 

o projeto locast desenvolve e disponibiliza uma plataforma web e móvel para a participação cidadão na cobertura e disseminação de informações hiperlocais. e como o próprio nome dado ao livro indica, o projeto se volta para questões como a participação, o hiperlocal, a comunicação e conexão ubíquas e uma nova concepção da cidade, composta por diversas camadas de informação.

 

não custa ressaltar que acho bastante válida a leitura. é possível baixar o livro aqui.


leituras de jornalismo

11/11/2010

chegou hoje na minha mão o “produção e colaboração no jornalismo digital” livro organizado por carla schwingel e calos zanotti, da rede de pesquisa aplicada em jornalismo e tecnologias digitais (JotTec).

recém saído da prensa, o livro reúne trabalhos da raquel longhi, fernando firmino, marcelo träsel, entre outros.

aproveitei o embalo para comrpar também o “ensino de jornalismo em tempos de convergência” organizado por elias machado e tattiana teixeira, fruto do trabalho do projeto de colaboração acadêmica Porcadjor (procad/capes) entre ufba, usp, ufsc e utp que leva o mesmo nome do livro.

os dois foram lançados no último SBPJor (junto com outros 12 livros).

ansioso pelas duas leituras.


colaborativo, participativo, open-source, cidadão…

06/10/2010

esse posta provavelmente não vai trazer nada de novo, mas vai ser longo. vou encher ele de coisas que talvez não façam sentido juntas mas que estão bombardeando minha cabeça (principalmente depois da conversa de hoje com paulo victor, rodrigo carreiro, rafael sampaio e sivaldo pereira, durante a aula do póscom).

se eu já me inquietava com o samba-de-crioulo-doido que é a falta de distinção e definição conceitual sobre o jornalismo participativo – que também pode ser chamado de colaborativo, open-source, grassroots, cidadão (e, aparentemente, o que mais você escolher) – a discussão acabou me deixando mais intranquilo quando vejo que sai da discussão sobre o jornalismo ser colaborativo ou participativo e pode se ampliar a conceitos de participação e colaboração mais gerais; uns com base na teoria democrática, outros na cibercultura, ao fim, definir isso é difícil.

masenfim. voltando ao jornalismo, vejo que essa indefinição ou indistinção conceitual mais clara simplesmente persiste, sem que se identifique (ou sem que ao menos eu identifique) um esforço prático e teórico para que seja solucionado (com a exceção talvez da proposta do Alec Duarte, cuja transformação em artigo eu ainda aguardo).

sem querer repetir o post do Webmanário, e nem mesmo propor uma diferenciação minha (até porque a mesma não existe) eu finalizo com um exemplo de como a utilização desses conceitos pode se apresentar de forma confusa.

Brambilla (2005), ao conceituar, o jornalismo open-source – e dando como exemplos do mesmo o OhMyNews e o SlashDot – o apresenta da seguinte forma “o jornalismo open source possibilita que a comunidade, além de apontar uma falsa informação, torne essa observação pública, corrigindo-a ou tão-somente alertando futuros leitores àquela incorreção(2005, p. 4)

Träsel e Primo (2006), não só apresentam os mesmos dois sites como modelos de webjornalismo participativo, como utilizam a seguinte definição para enquadrar o WikiNews sob essa nomenclatura: “Ou seja, no Wikinews qualquer pessoa pode publicar notícias e editar aquelas publicadas por outros colaboradores. O internauta que identifica um erro ou acredita ter alguma informação a mais pode modificar o texto original da notícia, fazendo correções ou acréscimos(2006, p. 12)

a não ser que em algum momento de lá para cá já tenham sido feitas considerações sobre isso, acho confuso que se nomeie ou enquadre os mesmos veículos sob nomenclaturas diferentes, utilizando, no entanto, os mesmos argumentos. a não ser que se considere a todos eles sinônimos: o que não creio ser o caso.

deixando claro que esse comentário não é de forma algum desmerecimento ou crítica aos autores citados – cujo trabalho admiro e tento acompanhar -, explico que a intenção final é de (me) alertar para a necessidade de trabalhar e problematizar esses conceitos, e buscar saídas possíveis para essa indefinição. quem sabe um dia..


mapeando: a tarde, salvador

28/03/2010

hoje, depois de muita demora e muito atraso eu começo a andar com a idéia. mapear catalogar ou simplesmente contabilizar e localizar projetos de colaboração de jornais brasileiros. pra começar bem, já que estou na cidade, o cidadão repórter do jornal a tarde, aqui de salvador.

o blog começou a integrar o quadro do jornal em março do ano passado, com uma proposta de “ouvir sugestões, denúncias e críticas do nosso público, checar informações e acompanhar todo o fluxo de produção do material jornalístico que possa ser pautado ou elaborado pela nossa audiência.” (trechinho queu peguei emprestado do herdeiro do caos, já que no a tarde não encontrei grandes explicações do projeto).

a impressão que se tem ao passear pelas postagens é de que de fato o ciberespaço é uma fonte para os jornalistas, como disse elias machado. o que marca o blog, e que intitula a seção que tem maior participação – comente – é de que os jornalistas querem ouvir o que o leitor tem a dizer sobre alguns assuntos. já que a maior parte dos posts são formados de uma descrição curta de um tema seguida de uma pergunta como “o que você acha disso?” e um pedido para enviar foto, vídeo ou informações para a redação.

é fato que utilizar a rede para encontrar novas fontes é interessante, mas no entanto, vê-se que parte das postagens no blog dão espaço para comentários que não criam diálogo ou discussão. comentários pontuais, sobre as chances de o bahia ser campeão, ou sobre a chegada da primavera. essas ainda que possam auxiliar para criar uma relação do leitor com o blog, por ver sua foto ou comentário publicados, não pode deveria se destacar entre as utilizações do mesmo.

outros usos do blog, bem próximos desses, no entanto, mostram o quanto a pesquisa jornalísitca para a produção de matérias pode ser auxiliada por essa interaçaõ com seus leitores, seja para obter rapidamente um termometro da reação da população sobre temas  polêmicos ou de interesse público; ou mesmo na construção de pautas elaboradas, como é o caso recente do cinquentenário do título nacional do bahia. para isso o blog solicitou aos leitores que têm fotos ou registros ou conhecem histórias sobre o campeonato para ajudar na pesquisa, o que pode ajudar a descobrir novas informações e reconstituir esse momento. (o caderno deve sair amanhã, e devo comprar para conferir se alguma contribuição pôde ser utilizada).

é necessário realizar ainda um destaque: a seção especial de dúvidas sobre o imposto de renda, no qual o jornal recebeu perguntas dos leitores e as respondeu tanto no jornal quanto no blog.

no entanto, senti falta também de maior interação. ainda que haja uma quantidade razoável de comentários em muitas postagens, há pouco diálogo, tanto entre os comentaristas, quanto destes com jornalistas do projeto. o blog é uma ferramenta para escrita coletiva, mas há muitas vozes, basicamente falando sem ouvir. assim como um melhor uso do twitter, que como reclamo sempre, não é só um vomitador de links.

bem. bateu cinco minutos e acabou essa parte. aos poucos vou andando, tateando e mapeando. e espero dar conta. ainda essa semana quero voltar.


entendendo o leitor-participante

15/03/2010

ainda nem li mas já apresento aqui (e se tudo der certo depois da leitura comento) o Pew Research Center’s Project for Excellence in Journlalismo (ou PEJ) soltou no site um estud0 – understanding the participatory news consumer -  que busca compreender como  o uso de mídias locativas e jornalismo participativo estão transformando o jornalismo em uma esperiência social. o texto todo está disponível em pdf aqui.

na mosca! eu não proporia um estudo melhor. quer dizer, já fiz isso mais ou menos, e hoje saiu recebi o email informando que saiu a bolsa do cnpq pro meu trabalhpo de mestrado, sobre a aproximação do leitor com as notícias e o jornalismo através de espaços e ferramentas de participação.


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.