conteúdo pago e a mania de pioneirismo

30/03/2010

esse post é mais uma brincadeira de reflexão que um comentário realmente.

hoje estava vendo no blog do gjol que também o le monde passaria a cobrar uma assinatura para visualização online de seu conteúdo impresso  (o post foi esse). na verdade esse tema está em destaque há algum tempo já entre jornalistas e pesquisadores do jornalismo digital (desde as declarações do Murdoch, de que fecharia o conteúdo de seus veículos, como já fez com o wall street journal, e mais recentemente com o the times).

o fato é que, tanto a gente fala que eu não sei se se esquece que no brasil isso não é nenhuma novidade ou polêmica. só pra ficar em exemplos locais e dos quais posso falar com mais propriedade, o conteúdo do jornal do commercio, do recife, só está disponível para assinantes – havendo as possibilidades de assinar o jornal, apenas a versão digital, ou utilizar uma senha de assinante uol. e foi assim desde que me entendo por leitor online de notícias.

há pouco tempo é que o principal concorrente do jc, o diario de pernambuco, ao modificar o endereço e layout do site passou a disponibilizar gratuitamente o conteúdo do veículo impresos na rede (ainda que mantenha restrito a assinantes a versão flip do jornal, com as páginas digitalizadas).

enfim, como disse, é mais por brincadeira que me pergunto se é mania de pioneirismo d epernmabucano, ou os jornais brasileiros, como o jornal do commercio, não seriam precurssores da onda murdoch de cobrar pelo acesso aos conteúdos.

http://europe.wsj.com/home-page

o novo estadão e o twitter (ou um post que mudou no meio)

14/03/2010

nada como uma novidade (mesmo das que apresentam pouca inovação) para fazer as coisas se agitarem um pouco. o Estadão lançou oficialmente suas novas versões para o jornal impresso e novo layout do portal. e isso basta pra que a gente veja algumas mudanças de atitude do jornal quanto à relação com os leitores.

o que me faz ver isso é um post no blog do pedro dória respondendo às três principais dúvidas, no twitter, sobre o novo estadao.com.br. a primeira coisa que penso é. thumbs up. olhas de vez em quando, nem que seja de vez em quando, os seus replies no twitter ou mesmo fazer uma pesquisa de hashtag ou termo no micro blog podem render bons frutos. não sei se só eu penso assim, mas o twitter não é (apesar de ser utilizado assim) um cuspidor de links. tem uma lógica de funcionamento (como toda rede social) que vai além de uma estratégia para atingir seguidores/leitores. e conversar também faz parte dessa lógica. e tentando é impressionante ver o quanto as pessoas estão dispostas a conversar.

vamos enfim ao caso. uma das ‘ações de promoção’ da nova cara do estadão foi o anúncio no twitter (faltam X dias para o novo @estadao). daí em diante @estadao começa a falar: agradece indicações no #FF (follow friday); pergunta o que seus seguidores acharam da reformulação e tira dúvidas, responde e agradece os comentários. enfim, conversa.

até que, num momento, decide responder a todos de uma vez através do post já comentado do pedro dória e que incentivou a existência desse post. mas é aqui que esse post muda no meio.

a idéia inical era, além de parabenizar a iniciativa de falar com os leitores sobre sua reformulação criticar o fato de que isso foi feito apenas nesse momento. que a inserção essa conversação cria uma falsa imagem do perfil do jornal que, majoritariamente, utiliza o twitter para enviar links de suas matérias, citando e dando RT em tweets de subseções do jornal e funcionários ou colaboradores.

de fato esse é o cenário geral e que poderia facilmente ser comprovado pela observação das postagens realizadas no mês de março. o fato é que, ao ampliar essa observação para um período de 30 dias (no caso, desde 14.02), vi que não é possível sustentar esse comentário em gênero, número e grau. isso porque, memso não sendo na regra, há algumas exceções que servem bem para me contra-argumentar. então faço o mea culpa.

além da ocasional pergunta em carta aberta (realizada quando do terremoto no chile) e que se justifica mais pela dificuldade em se encontrar outras fontes que não os relatos e relatórios oficiais que pela tentativa de dialogar com o público – como já comentado aqui antes -; há um momento interessante a se apresentar: a matéria que vocês nos ajudaram a fazer.

a apuração nessa matéria começa com uma pergunta ‘quem está tendo problemas para acessar a internet?’ e se segue com uma conversação entre o jornal e alguns seguidores que atenderam ao pedido. o que resulta é uma produção praticamente colaborativa.

cabe ainda o questionamento quanto à não regularidade desse diálogo (buscado apenas quando útil), mas fica mais um sabor de erro ao tentar criticar algo com argumentos não tão bem embasados quanto deveriam.

hoje então o post é comentário e reflexão. e já que estamos bagunçando tudo. aviso que nessa semana começo (ou pretendo começar) a catalogação dos projetos de colaboração em jornais do nordeste – que pretendo como primeira fase do projeto de pesquisa no mestrado – e que vão aparecer por aqui em análises de cinco minutos.


jornalismo colaborativo?

20/09/2009

hoje, depois de um tempo criado, começo a fazer o blog dizer a que veio.

acabo de ver, pelo blog do GJol (via @liaraquella) que O Globo lançou um canal de interação com o público: o Dois Gritando.  a idéia é bastante parecida com o Cidadão Repórter, do Diario de Pernambuco, aqui de Recife (mas esse fica pra outro post). um fórum, em que os internautas podem discutir assuntos relativos à cidade e à cidadania, como poluição, comércio informal, habitação, saúde, etc. uma vez por semana, um tema escolhido pelos participantes vira matéria no jornal (matéria realizada pela equipe de jornalistas, vale salientar).

esses canais de interação, estão se tornando mais e mais comuns no jornalismo brasileiro. a mídia, através de seus portais, “abre espaço” para a voz do leitor. será que isso é mesmo um serviço que a empresa presta ao leitor? abrir mais espaço? blogs,  microblogs e outros fóruns, sozinhos, não já podem “dar voz” tanto a leitores do jornal, como a qualquer outro usuário da rede?

o que me parece maior novidade nesse (mais um) espaço de colaboração é a criação e divulgação de uma hashtag: #doisgritando, para que os leitores publicando “seus tweets sobre os temas, onde quer que estejam”, possam ser acompanhados pela equipe do canal. há ainda um mapa interativo, mash-up em que os usuários podem localizar no mapa os problemas encontrados na cidade.

ainda assim, nada que já não exista em outros blogs ou espaços. e que o jornal pede que seja feito dentro de seus domínios, sob sua observação e orientação. mas vamos ver o que sai daí..


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