nada como uma novidade (mesmo das que apresentam pouca inovação) para fazer as coisas se agitarem um pouco. o Estadão lançou oficialmente suas novas versões para o jornal impresso e novo layout do portal. e isso basta pra que a gente veja algumas mudanças de atitude do jornal quanto à relação com os leitores.
o que me faz ver isso é um post no blog do pedro dória respondendo às três principais dúvidas, no twitter, sobre o novo estadao.com.br. a primeira coisa que penso é. thumbs up. olhas de vez em quando, nem que seja de vez em quando, os seus replies no twitter ou mesmo fazer uma pesquisa de hashtag ou termo no micro blog podem render bons frutos. não sei se só eu penso assim, mas o twitter não é (apesar de ser utilizado assim) um cuspidor de links. tem uma lógica de funcionamento (como toda rede social) que vai além de uma estratégia para atingir seguidores/leitores. e conversar também faz parte dessa lógica. e tentando é impressionante ver o quanto as pessoas estão dispostas a conversar.
vamos enfim ao caso. uma das ‘ações de promoção’ da nova cara do estadão foi o anúncio no twitter (faltam X dias para o novo @estadao). daí em diante @estadao começa a falar: agradece indicações no #FF (follow friday); pergunta o que seus seguidores acharam da reformulação e tira dúvidas, responde e agradece os comentários. enfim, conversa.
até que, num momento, decide responder a todos de uma vez através do post já comentado do pedro dória e que incentivou a existência desse post. mas é aqui que esse post muda no meio.
a idéia inical era, além de parabenizar a iniciativa de falar com os leitores sobre sua reformulação criticar o fato de que isso foi feito apenas nesse momento. que a inserção essa conversação cria uma falsa imagem do perfil do jornal que, majoritariamente, utiliza o twitter para enviar links de suas matérias, citando e dando RT em tweets de subseções do jornal e funcionários ou colaboradores.
de fato esse é o cenário geral e que poderia facilmente ser comprovado pela observação das postagens realizadas no mês de março. o fato é que, ao ampliar essa observação para um período de 30 dias (no caso, desde 14.02), vi que não é possível sustentar esse comentário em gênero, número e grau. isso porque, memso não sendo na regra, há algumas exceções que servem bem para me contra-argumentar. então faço o mea culpa.
além da ocasional pergunta em carta aberta (realizada quando do terremoto no chile) e que se justifica mais pela dificuldade em se encontrar outras fontes que não os relatos e relatórios oficiais que pela tentativa de dialogar com o público – como já comentado aqui antes -; há um momento interessante a se apresentar: a matéria que vocês nos ajudaram a fazer.
a apuração nessa matéria começa com uma pergunta ‘quem está tendo problemas para acessar a internet?’ e se segue com uma conversação entre o jornal e alguns seguidores que atenderam ao pedido. o que resulta é uma produção praticamente colaborativa.
cabe ainda o questionamento quanto à não regularidade desse diálogo (buscado apenas quando útil), mas fica mais um sabor de erro ao tentar criticar algo com argumentos não tão bem embasados quanto deveriam.
hoje então o post é comentário e reflexão. e já que estamos bagunçando tudo. aviso que nessa semana começo (ou pretendo começar) a catalogação dos projetos de colaboração em jornais do nordeste – que pretendo como primeira fase do projeto de pesquisa no mestrado – e que vão aparecer por aqui em análises de cinco minutos.


Escrito por rodrigo martins