memoryshare: memória coletiva na bbc

17/03/2011

o ano novo só começa depois do carnaval. é fato. mas como os efeitos da folia ainda ficam por um bom tempo, vou aos poucos retomando as atividades com algumas coisas velhas. a primeira é o memoryshare da bbc.

criado em 2007 (segundo a wikipédia), o projeto é bem simples: oferecer uma plataforma online onde as pessoas possam escrever, registrar e compartilhar memórias. qualquer coisa vale, desde uma mulher contando quando conheceu seu marido ao um relato sobre a queda do muro de berlim. a partir disso, o sistema monta uma linha do tempo em espiral que conecta datas relacionadas e permite a livre navegação nessa memória coletiva.

essa iniciativa agrega um caráter mais amplo à característica já tradicional do jornalismo de ser um registro histórico, um espaço de resgate da memória e do passado públicos. aceita-se que não apenas dos fatos registrados se compõe a nossa história, mas dos pequenos relatos e lembranças do cotidiano de cada indivíduo.

mas antes de pensar que a bbc é bondosa e acredita na construção coletiva do passado, é preciso pensar nas possibilidades de retorno que a empresa tem com a iniciativa. o especial sobre a segunda guerra mundial (ww2 – people’s war) que reúne relatos de usuários é um bom exemplo de como esse grande arquivo pode acrescentar ao jornalismo. ainda que o ww2 tenha sido lançado um ano antes do memoryshare, este já se mostra como um espaço aberto para facilitar novas empreitadas de busca extensiva por relatos históricos e fontes.

a página é portanto mais que uma ótima iniciativa de memória coletiva e aberta. é uma boa resposta do jornalismo às necessidades de ampliar suas formas de coleta de informações, de agregar as vozes cada vez maiores e mais fortes de pessoas comuns, e fazer um bom uso da tecnologia para chegar a novos e interessantes processos e produtos  jornalísticos.


colaborativo, participativo, open-source, cidadão…

06/10/2010

esse posta provavelmente não vai trazer nada de novo, mas vai ser longo. vou encher ele de coisas que talvez não façam sentido juntas mas que estão bombardeando minha cabeça (principalmente depois da conversa de hoje com paulo victor, rodrigo carreiro, rafael sampaio e sivaldo pereira, durante a aula do póscom).

se eu já me inquietava com o samba-de-crioulo-doido que é a falta de distinção e definição conceitual sobre o jornalismo participativo – que também pode ser chamado de colaborativo, open-source, grassroots, cidadão (e, aparentemente, o que mais você escolher) – a discussão acabou me deixando mais intranquilo quando vejo que sai da discussão sobre o jornalismo ser colaborativo ou participativo e pode se ampliar a conceitos de participação e colaboração mais gerais; uns com base na teoria democrática, outros na cibercultura, ao fim, definir isso é difícil.

masenfim. voltando ao jornalismo, vejo que essa indefinição ou indistinção conceitual mais clara simplesmente persiste, sem que se identifique (ou sem que ao menos eu identifique) um esforço prático e teórico para que seja solucionado (com a exceção talvez da proposta do Alec Duarte, cuja transformação em artigo eu ainda aguardo).

sem querer repetir o post do Webmanário, e nem mesmo propor uma diferenciação minha (até porque a mesma não existe) eu finalizo com um exemplo de como a utilização desses conceitos pode se apresentar de forma confusa.

Brambilla (2005), ao conceituar, o jornalismo open-source – e dando como exemplos do mesmo o OhMyNews e o SlashDot – o apresenta da seguinte forma “o jornalismo open source possibilita que a comunidade, além de apontar uma falsa informação, torne essa observação pública, corrigindo-a ou tão-somente alertando futuros leitores àquela incorreção(2005, p. 4)

Träsel e Primo (2006), não só apresentam os mesmos dois sites como modelos de webjornalismo participativo, como utilizam a seguinte definição para enquadrar o WikiNews sob essa nomenclatura: “Ou seja, no Wikinews qualquer pessoa pode publicar notícias e editar aquelas publicadas por outros colaboradores. O internauta que identifica um erro ou acredita ter alguma informação a mais pode modificar o texto original da notícia, fazendo correções ou acréscimos(2006, p. 12)

a não ser que em algum momento de lá para cá já tenham sido feitas considerações sobre isso, acho confuso que se nomeie ou enquadre os mesmos veículos sob nomenclaturas diferentes, utilizando, no entanto, os mesmos argumentos. a não ser que se considere a todos eles sinônimos: o que não creio ser o caso.

deixando claro que esse comentário não é de forma algum desmerecimento ou crítica aos autores citados – cujo trabalho admiro e tento acompanhar -, explico que a intenção final é de (me) alertar para a necessidade de trabalhar e problematizar esses conceitos, e buscar saídas possíveis para essa indefinição. quem sabe um dia..


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