pra dentro e pra fora

10/07/2010

pra cumprir a promessa do post de segunda, mas de maneira bem fuleira. uma rapidinha que tava guardada já há um tempo e que vai ser dividida em duas partes: uma entrando outra saindo; as duas buscando aproximação com o leitor.

primeiro a oferta de entrada do guardian, que lançou um esquema de membership para assinantes o extra. nada de tão novo, uma gama de ofertas, descontos ou participação em debates e eventos para os assinantes que pagarem uma determinada quantia, quase um clube de desconto. a novidade é que além disso – como destacou o journalism.com.uk – ser membro dá também possibilidade de visitar as redações do guardian e do observer, além de acesso a repórteres e editores. uma forma (que parece) bastante eficaz de criar laços e aproximar os leitores do jornal, mostrando como ele funciona.

a outra ideia, que também acaba aproximando, é convidar para sair. ou aumentar o número de links para páginas externas, como pretende fazer a bbcnews. como disse steve herrman no blog dos editores, a estratégia é aumentar o número de links nas matérias do site, enviando sempre que pos´sivel o elitor para documentos e sites que foram utilizados pelos jornalistas como fontes para a realização da matéria, além de também oferecer outras coberturas de um mesmo fato. isso porque, como dito em resposta para o comentário do niemanlab, um site de notícias deve focar na construção de um amplo espaço público, sendo uma janela que guia seu leitor para o “melhor da internet”. ainda que pareça mais bonito do que de fato é – já que é uma estratégia pós-corte-de-gastos – não se pode negar a importância que tem uma grande empresa de comunicação se colocar nesse lugar, de mais um (não de único ou principal).

enfim. rapidinha, entra e sai. e foi. agora é sómanter um ritmo.


mapeando: correio*, salvador

17/05/2010

o destaque dado à participação do leitor no correio* é comparado ao destaque da sessão na página inicial do correio24horas: pé de página, ao lado da logo e do endereço da rede bahia, empresa da qual o jornal faz parte. o link da barra principal – que vem depois ainda do início e da sessão de últimas (24h) – engana: clicar no bendito “vc no correio” é ser levado a uma página composta por “fóruns” (leia-se enquetes de resposta aberta), uma barra lateral de fotos enviadas pelos leitores, seguidas logo abaixo de enquetes propriamente ditas, do tipo “sim ou não”, e de opiniões do leitor.

parece descaso. nada na página parece ter sido postado a menos de algumas semanas. destaque para a opinião do leitor sobre o adiamento do enem (que ocorreu em outubro do ano passado). o clique na barra de fotos leva a uma matéria de julho do ano passado, que serve apenas como mostra das imagens enviadas e propaganda do espaço, não fazendo conexão alguma com qualquer notícia ou fato. o que é de se estranhar, considerando que a fotografia tem sido, ao menos na minha reles observação a maneira mais fácil e mais incentivada de participação de leitores, a imagem que ilustra o flagrante que a equipe de reportagem chegou muito tarde para registrar; isso para não entrar na questão dos vídeos de “cinegrafistas amadores” que hoje estão em quase todos os telejornais.

além do atraso os temas são gerais, parecem buscar um comentário descompromissado sem esperar – e se esperam não o incitam – que o leitor volte à página para acompanhar o tema em que participou. ainda assim, o clique na página de fóruns é uma surpresa. duas quase; a primeira são os temas apresentados. a surpresa de fato é perceber que não apenas há respostas, como há diálogos entre alguns dos participantes do fórum. estranho, no caso da postagem sobre cuidados com a dengue, é ver alguém respondendo à pergunta que encabeça o fórum. nos mais de quinze dias de postagens (não, eu não consegui ir até o final para ver há quanto tempo escrevem ali) há troca de informações sobre futebol, campanha presidencial, surto e vacinas contra a meningite, violência urbana etc., além de pequenas conversas pessoais – que só aumentam a certeza de que as pessoas ali já se conversam há algum tempo.

o caso não é o mesmo em todos os fóruns, mas por si só já diz alguma coisa: às vezes, e talvez de alguma forma isso seja muito, basta um espaço para que as pessoas tomem como seu. eu termino esse texto pensando nisso. mais do que em qualquer outro projeto que conheço, os participantes fazem a comunicação existir.

vamos ver se eu tomo isso como exemplo e tomo conta desse meu espaço aqui.


conteúdo pago e a mania de pioneirismo

30/03/2010

esse post é mais uma brincadeira de reflexão que um comentário realmente.

hoje estava vendo no blog do gjol que também o le monde passaria a cobrar uma assinatura para visualização online de seu conteúdo impresso  (o post foi esse). na verdade esse tema está em destaque há algum tempo já entre jornalistas e pesquisadores do jornalismo digital (desde as declarações do Murdoch, de que fecharia o conteúdo de seus veículos, como já fez com o wall street journal, e mais recentemente com o the times).

o fato é que, tanto a gente fala que eu não sei se se esquece que no brasil isso não é nenhuma novidade ou polêmica. só pra ficar em exemplos locais e dos quais posso falar com mais propriedade, o conteúdo do jornal do commercio, do recife, só está disponível para assinantes – havendo as possibilidades de assinar o jornal, apenas a versão digital, ou utilizar uma senha de assinante uol. e foi assim desde que me entendo por leitor online de notícias.

há pouco tempo é que o principal concorrente do jc, o diario de pernambuco, ao modificar o endereço e layout do site passou a disponibilizar gratuitamente o conteúdo do veículo impresos na rede (ainda que mantenha restrito a assinantes a versão flip do jornal, com as páginas digitalizadas).

enfim, como disse, é mais por brincadeira que me pergunto se é mania de pioneirismo d epernmabucano, ou os jornais brasileiros, como o jornal do commercio, não seriam precurssores da onda murdoch de cobrar pelo acesso aos conteúdos.

http://europe.wsj.com/home-page

mapeando: a tarde, salvador

28/03/2010

hoje, depois de muita demora e muito atraso eu começo a andar com a idéia. mapear catalogar ou simplesmente contabilizar e localizar projetos de colaboração de jornais brasileiros. pra começar bem, já que estou na cidade, o cidadão repórter do jornal a tarde, aqui de salvador.

o blog começou a integrar o quadro do jornal em março do ano passado, com uma proposta de “ouvir sugestões, denúncias e críticas do nosso público, checar informações e acompanhar todo o fluxo de produção do material jornalístico que possa ser pautado ou elaborado pela nossa audiência.” (trechinho queu peguei emprestado do herdeiro do caos, já que no a tarde não encontrei grandes explicações do projeto).

a impressão que se tem ao passear pelas postagens é de que de fato o ciberespaço é uma fonte para os jornalistas, como disse elias machado. o que marca o blog, e que intitula a seção que tem maior participação – comente – é de que os jornalistas querem ouvir o que o leitor tem a dizer sobre alguns assuntos. já que a maior parte dos posts são formados de uma descrição curta de um tema seguida de uma pergunta como “o que você acha disso?” e um pedido para enviar foto, vídeo ou informações para a redação.

é fato que utilizar a rede para encontrar novas fontes é interessante, mas no entanto, vê-se que parte das postagens no blog dão espaço para comentários que não criam diálogo ou discussão. comentários pontuais, sobre as chances de o bahia ser campeão, ou sobre a chegada da primavera. essas ainda que possam auxiliar para criar uma relação do leitor com o blog, por ver sua foto ou comentário publicados, não pode deveria se destacar entre as utilizações do mesmo.

outros usos do blog, bem próximos desses, no entanto, mostram o quanto a pesquisa jornalísitca para a produção de matérias pode ser auxiliada por essa interaçaõ com seus leitores, seja para obter rapidamente um termometro da reação da população sobre temas  polêmicos ou de interesse público; ou mesmo na construção de pautas elaboradas, como é o caso recente do cinquentenário do título nacional do bahia. para isso o blog solicitou aos leitores que têm fotos ou registros ou conhecem histórias sobre o campeonato para ajudar na pesquisa, o que pode ajudar a descobrir novas informações e reconstituir esse momento. (o caderno deve sair amanhã, e devo comprar para conferir se alguma contribuição pôde ser utilizada).

é necessário realizar ainda um destaque: a seção especial de dúvidas sobre o imposto de renda, no qual o jornal recebeu perguntas dos leitores e as respondeu tanto no jornal quanto no blog.

no entanto, senti falta também de maior interação. ainda que haja uma quantidade razoável de comentários em muitas postagens, há pouco diálogo, tanto entre os comentaristas, quanto destes com jornalistas do projeto. o blog é uma ferramenta para escrita coletiva, mas há muitas vozes, basicamente falando sem ouvir. assim como um melhor uso do twitter, que como reclamo sempre, não é só um vomitador de links.

bem. bateu cinco minutos e acabou essa parte. aos poucos vou andando, tateando e mapeando. e espero dar conta. ainda essa semana quero voltar.


entendendo o leitor-participante

15/03/2010

ainda nem li mas já apresento aqui (e se tudo der certo depois da leitura comento) o Pew Research Center’s Project for Excellence in Journlalismo (ou PEJ) soltou no site um estud0 – understanding the participatory news consumer -  que busca compreender como  o uso de mídias locativas e jornalismo participativo estão transformando o jornalismo em uma esperiência social. o texto todo está disponível em pdf aqui.

na mosca! eu não proporia um estudo melhor. quer dizer, já fiz isso mais ou menos, e hoje saiu recebi o email informando que saiu a bolsa do cnpq pro meu trabalhpo de mestrado, sobre a aproximação do leitor com as notícias e o jornalismo através de espaços e ferramentas de participação.


o novo estadão e o twitter (ou um post que mudou no meio)

14/03/2010

nada como uma novidade (mesmo das que apresentam pouca inovação) para fazer as coisas se agitarem um pouco. o Estadão lançou oficialmente suas novas versões para o jornal impresso e novo layout do portal. e isso basta pra que a gente veja algumas mudanças de atitude do jornal quanto à relação com os leitores.

o que me faz ver isso é um post no blog do pedro dória respondendo às três principais dúvidas, no twitter, sobre o novo estadao.com.br. a primeira coisa que penso é. thumbs up. olhas de vez em quando, nem que seja de vez em quando, os seus replies no twitter ou mesmo fazer uma pesquisa de hashtag ou termo no micro blog podem render bons frutos. não sei se só eu penso assim, mas o twitter não é (apesar de ser utilizado assim) um cuspidor de links. tem uma lógica de funcionamento (como toda rede social) que vai além de uma estratégia para atingir seguidores/leitores. e conversar também faz parte dessa lógica. e tentando é impressionante ver o quanto as pessoas estão dispostas a conversar.

vamos enfim ao caso. uma das ‘ações de promoção’ da nova cara do estadão foi o anúncio no twitter (faltam X dias para o novo @estadao). daí em diante @estadao começa a falar: agradece indicações no #FF (follow friday); pergunta o que seus seguidores acharam da reformulação e tira dúvidas, responde e agradece os comentários. enfim, conversa.

até que, num momento, decide responder a todos de uma vez através do post já comentado do pedro dória e que incentivou a existência desse post. mas é aqui que esse post muda no meio.

a idéia inical era, além de parabenizar a iniciativa de falar com os leitores sobre sua reformulação criticar o fato de que isso foi feito apenas nesse momento. que a inserção essa conversação cria uma falsa imagem do perfil do jornal que, majoritariamente, utiliza o twitter para enviar links de suas matérias, citando e dando RT em tweets de subseções do jornal e funcionários ou colaboradores.

de fato esse é o cenário geral e que poderia facilmente ser comprovado pela observação das postagens realizadas no mês de março. o fato é que, ao ampliar essa observação para um período de 30 dias (no caso, desde 14.02), vi que não é possível sustentar esse comentário em gênero, número e grau. isso porque, memso não sendo na regra, há algumas exceções que servem bem para me contra-argumentar. então faço o mea culpa.

além da ocasional pergunta em carta aberta (realizada quando do terremoto no chile) e que se justifica mais pela dificuldade em se encontrar outras fontes que não os relatos e relatórios oficiais que pela tentativa de dialogar com o público – como já comentado aqui antes -; há um momento interessante a se apresentar: a matéria que vocês nos ajudaram a fazer.

a apuração nessa matéria começa com uma pergunta ‘quem está tendo problemas para acessar a internet?’ e se segue com uma conversação entre o jornal e alguns seguidores que atenderam ao pedido. o que resulta é uma produção praticamente colaborativa.

cabe ainda o questionamento quanto à não regularidade desse diálogo (buscado apenas quando útil), mas fica mais um sabor de erro ao tentar criticar algo com argumentos não tão bem embasados quanto deveriam.

hoje então o post é comentário e reflexão. e já que estamos bagunçando tudo. aviso que nessa semana começo (ou pretendo começar) a catalogação dos projetos de colaboração em jornais do nordeste – que pretendo como primeira fase do projeto de pesquisa no mestrado – e que vão aparecer por aqui em análises de cinco minutos.


de férias?

10/03/2010

esse período de ausência nem é justificável, então nem vou tentar fazer isso. hoje, como retorno tiro da gaveta um post que deveria ter sido colocado aqui há tempos (e que de certa forma se aproxima de ser a justificativa que não quero tentar dar).

enquanto estava ‘de férias’ me deparei com as férias de outros jornalistas na rede.  o pessoal da trip, que há algum tempo eu acompanho pelo site e pelo twitter, mostrou mais um pouco a sua cara (literalmente), dividindo parte das suas fotografias de viagens durante as férias com os colegas e os leitores da revista através do blog da redação.

fui, a partir daí fuçando mais e mais desse blog e vendo que ele não é só um lugar a mais para divulgar os produtos da editora, mas de fato um canal onde a redação está (em parte) aberta à seus leitores. vamos destacar aqui duas categorias em que melhor se pode compreender de que forma essa ’abertura’ se dá.

o primeiro é a sessão ‘é nóis’ em que os integrantes da revista entrevistam uns aos outros. já no ‘momento post-it’ são divididos com os leitores pequenos trechos de conversas e piadas que circulam nas reuniões e mesas da redação.  além do ‘bizarro’ onde cenas, vídeos e outras coisas que a equipe acha interessante são divididos com os leitores do blog.

é interessante perceber como é possível desvelar a redação para os leitores, criar uma aproximação entre os espaços de produção e consumo do jornalismo. são coisas assim que me fazem pensar em como essa aproximação leitor-jornalista modifica (ou não) o jeito de se ler/entender as notícias. e ainda que se pense que a trip não é (ou faça parte do grupo de) um jornalão com pretensões de verdade, basta olhar para os tweets do @realwbonner para ver que mesmo no jornalismo “mais sério” essa aproximação jornalista-público tem dado as caras.


carta capital e #honduras

23/09/2009

esquecido pela mídia por um tempo, o golpe hondurenho voltou a aparecer nos grandes jornais no início da semana, quando o presidente (eleito e) deposto, Manuel Zelaya, retornou ao país e recebeu abrigo na embaixada brasileira.

como durante o golpe, não só jornais, mas o twitter passou a ser um dos espaços mais utilizados para propagação rápida de informações sobre o que acontece por lá. a hashtag #Honduras voltou a ser bastante movimentada (ao menos voltou a aparecer bastante no meu time-line).

além das muita sinformações sobre o sítio à embaixda brasileira, posicionamentos de outras nações, ou os relatos de prisões e repressão do governo golpista contra o movimento de apoio a Zelaya mais uma coisa se destacou: os tweets da @cartacapital. achei até estranho, um meio de comunicação (ainda que não um grande grupo de mídia) fazendo citações e encaminhando seus seguidores a outros perfis e linkando para outros sites que não o seu.

e ainda que a maior parte de seus retweets fossem do Antônio Luiz Costa (@ALuizCosta) – que escreve para a resvista – e outros jornais, como os hondurenhos @DiarioTiempo e @diariolaprensa. houve também o registro de blogueiros como o @herdeirodocaos (cujo blog eu recomendo) entre outros.

acho válido ressaltar esse uso do twitter. ver como ao menos aos poucos, os meios de comunicação vão percebendo suas especificidades e participando, em vez de se servir das redes apenas como mais um meio de difundir a sua informação. ver que é possível ao jornalismo conviver na rede, e aceitando dividir o papel de difusora de informações dentro dela.


jornalismo colaborativo?

20/09/2009

hoje, depois de um tempo criado, começo a fazer o blog dizer a que veio.

acabo de ver, pelo blog do GJol (via @liaraquella) que O Globo lançou um canal de interação com o público: o Dois Gritando.  a idéia é bastante parecida com o Cidadão Repórter, do Diario de Pernambuco, aqui de Recife (mas esse fica pra outro post). um fórum, em que os internautas podem discutir assuntos relativos à cidade e à cidadania, como poluição, comércio informal, habitação, saúde, etc. uma vez por semana, um tema escolhido pelos participantes vira matéria no jornal (matéria realizada pela equipe de jornalistas, vale salientar).

esses canais de interação, estão se tornando mais e mais comuns no jornalismo brasileiro. a mídia, através de seus portais, “abre espaço” para a voz do leitor. será que isso é mesmo um serviço que a empresa presta ao leitor? abrir mais espaço? blogs,  microblogs e outros fóruns, sozinhos, não já podem “dar voz” tanto a leitores do jornal, como a qualquer outro usuário da rede?

o que me parece maior novidade nesse (mais um) espaço de colaboração é a criação e divulgação de uma hashtag: #doisgritando, para que os leitores publicando “seus tweets sobre os temas, onde quer que estejam”, possam ser acompanhados pela equipe do canal. há ainda um mapa interativo, mash-up em que os usuários podem localizar no mapa os problemas encontrados na cidade.

ainda assim, nada que já não exista em outros blogs ou espaços. e que o jornal pede que seja feito dentro de seus domínios, sob sua observação e orientação. mas vamos ver o que sai daí..


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